O Fauno e eu
Pois é, hoje tive mais um daqueles meus "sonho livro" e sinceramente fiquei bem feliz. Achei que tinha perdido essa habilidade. Rs. Aparentemente eu (a história se apresentou em primeira pessoa) sou uma pessoa com alguma deficiência que me faz ser tratada com algum descaso pelas demais pessoas mas o preconceito dos outros direcionados à mim me pareceu natural como se fosse algo que eu tivesse sofrido a vida toda. Nem ficava zangada. Vejamos, eu estava no cinema quando encontrei com um grupo de amigos que me trataram como um tipo de mal necessário ou objeto de divertimento. Passamos um tempão procurando por uma fileira onde caberiam todos e quando achamos uma, ficou faltando o lugar para um. Mas não fui eu a escolhida para ficar isolada e sim um garoto de óculos que eu só reparei nesse momento. Ele foi sozinho para a fileira da frente. Fiquei com dó e fui me sentar com ele o que apenas gerou mais piadas no grupo em que estava. De repente as cadeiras em que eu e meu amigo estavamos se torna um daqueles carrinhos de montanha russa, com travas e somos elevados para o alto com cabos. Algumas outras cadeiras passam pelo mesmo processo. Algo é gritado alegre como se estivessemos em um grande evento e a turma lá embaixo urra entusiasmada e invejosa. As cadeiras se deslocam rapidamente pelo ar se unindo em um tipo de carrinho que passa por tuneis até chegar a outro lugar que também é um cinema, ali as cadeiras são separadas em pares e por fim eu e meu par vamos parar na frente de um estranho homem que se veste de branco usa paletó e cartola e seus dois assistentes. Só posso dizer que eles me pareciam miudos, gordinhos e estranhos. Eles tomam de nossas mãos os folhetos que recebemos de brinde na entrada. Eu fico decepcionada em ter aquilo tirado de minhas mãos pois achei o desenho bonito. Os homenzinhos continuam falando como se falassem com uma enorme plateia. Eles usam uma luz muito forte que me cega por um momento e deixa meu companheiro totalmente atordoado. Meu rosto e o de meu companheiro aparecem na telona em uma foto que é engraçada pois estamos com o rosto de espanto. Nossa poltrona carrinho é novamente travada e começamos a nos mover enquanto os apresentadores se despedem e nesse momento eu grito:
- Ei! O meu papel!
Por algum motivo meu grito faz finalmente o homem de cartola olhar diretamente para mim com um ar intrigado. Ele tem uma expressão que me causa desconforto mas o carrinho não para e voltamos para o nosso lugar onde os amigos invejosos vem conversar conosco sobre a nossa aparição no telão.
Corta a cena (os editores de sonhos deviam levar um tiro, rs). Estou em minha casa. Sou uma artista e estou revestindo uma pequena viola com vários papeis até deixá-la bem gordinha. Passo-lhe a massa. A pintura. Dou-lhe detalhes com o pincel. O homem da cartola chega. Meu atelie aparentemente é uma lojinha em alguma garagem. Ele pede para ver o que estou fazendo. Eu o reconheço como sendo o homem do cinema. Ele começa a desmanchar minhas horas de trabalho enquanto fala várias coisas e quando chega à viola original, velha, riscada e sem cordas, de alguma forma, ele a restitui à sua forma original a deixando novinha e me entregando como se o que ele fizesse tivesse mais valor e como se fosse absurdo alguém apreciar algo velho.
Eu o surpreendo dizendo: - Mas e a história? Onde está?
Gente, é sonho. Muita calma nessa hora.
Corta para uma rua mal cuidada onde tem muitas casas parecidas. Eu não consigo distinguir uma da outra. Eu fiquei irritada com o homem da cartola e saí porque naquela hora eu tinha que cumprir com minha missão. O dia estava nublado. Eu tinha de levar o sol para ela. Escolhi um dos muros e com meu lapis comecei a desenhar na parede um solzinho que por causa da textura da parede saiu todo torto. Ouço uma voz e lá no fim da rua vejo o vulto de uma mulher gritando meu nome. Percebo que estou na casa errada. Também percebo que o homem de cartola me seguiu e me observa.
Ai eu acordei e anotei tudo isso correndo rs. É um sonho afinal. E o titulo para organizar tudo isso ficou O FAUNO E EU. Então esta é por enquanto a história de O FAUNO E EU.
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